Eu passava pela rua. Eu não tive medo, era tarde, havia sol. A região era um pouco inóspita e conhecida por roubos. O segurança que cuida do local em que trabalho disse que, pela noite, os moradores colocavam cacos de vidro na ciclovia para furar os pneus da bicicleta e o ciclista, ao ter que parar, era assaltado. O gari me parou para perguntar as horas. Mas eu não tive medo. E acho que foi por isso que ele me deu uma bala. 14h15. Ele disse: “então um presente para você, mocinha”. Tirou do bolso do seu uniforme uma daquelas mentoladas extra forte, com recadinho na embalagem para algum amado. Eu respondi “obrigada” e fui embora.
Eu não comi a bala. Nunca aceite balas de estranhos, é o que me disseram desde criança. E a região era inóspita.